De olho no público jovem e no Nordeste, Augusto Cury gastou R$ 116 mil nas redes sociais em 2026

  • 05/09/2026
(Foto: Reprodução)
Augusto Cury (Avante) aparece como 3º colocado na pesquisa Quaest divulgada nesta quarta (2) Marina Uezima/Agência O Dia/Estadão Conteúdo O candidato à Presidência pelo Avante, Augusto Cury, já gastou pelo menos R$ 116 mil para impulsionar seus conteúdos em plataformas da Meta, como o Instagram, neste ano. As informações constam em um levantamento elaborado pelo g1 a partir de dados disponíveis na biblioteca de anúncios da empresa. 🔍 O impulsionamento de conteúdos é a única modalidade de propaganda eleitoral paga na internet permitida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Entre as regras, a Justiça Eleitoral proíbe impulsionar conteúdo negativo sobre adversários. De acordo com os registros, o investimento tem crescido conforme a eleição se aproxima. Apenas nos últimos 7 dias, de 25 a 31 de agosto, o candidato gastou R$ 43.926 em anúncios. O impulsionamento também reflete sua estratégia de campanha: fazer com que o público jovem veja suas postagens, assim como eleitores do Sudeste e Nordeste. Os dados das duas últimas pesquisas Quaest, divulgadas em 14 de agosto e 2 de setembro, mostram um avanço de Cury nas intenções de voto. O candidato passou de 2% para 10%. Entre os mais jovens, foi de 1% para 14%, seu melhor desempenho no recorte por idade. Cury também cresceu em diferentes regiões do país. No Nordeste, passou de 2% para 11%; no Sudeste e no Sul, de 2% para 10%; e, no Centro-Oeste e Norte, de 3% para 7%. Os fatores que fizeram Augusto Cury ‘bombar’ nas redes sociais Segundo os dados da Meta, Cury também priorizou a promoção de um vídeo sobre o primeiro debate presidencial, realizado em 28 de agosto. Participaram do evento, além de Cury, Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão). Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) não compareceram. Após o debate, Cury registrou um aumento expressivo de visibilidade nas redes sociais e nas buscas por seu nome. Entre 14 e 27 de agosto, o candidato ganhou 1,8 milhão de seguidores nas redes sociais, segundo levantamento do Instituto Democracia em Xeque. Os valores disponíveis na biblioteca de anúncios da Meta são compatíveis com os informados por Cury ao TSE em sua prestação de contas. O candidato declarou uma despesa de R$ 50 mil com impulsionamento de conteúdos da campanha em 20 de agosto. Já entre 25 e 31 de agosto, os dados da Meta indicam um gasto de R$ 43,9 mil na plataforma. A prestação de contas está disponível no portal DivulgaCand, da Justiça Eleitoral, e considera apenas as transações realizadas após o início oficial da campanha, em 16 de agosto. No mesmo período, entre 30 de junho e 31 de agosto, o presidente Lula (PT) gastou R$ 1,1 milhão com impulsionamento de conteúdos. Já a página de Flávio Bolsonaro (PL) aparece sem gastos registrados na biblioteca de anúncios da Meta. O g1 procurou a Meta para confirmar se o candidato não havia feito nenhum impulsionamentos pago até 31 de agosto deste ano. Em resposta, a empresa afirmou que reforça compromisso com a transparência das informações, disponibilizamos os detalhes dos anúncios nas plataformas na Biblioteca de Anúncios. O g1 também procurou a assessoria da campanha de Flávio Bolsonaro e não houve retorno até a publicação da reportagem. O texto será atualizado se houver resposta. Foco de Cury no público jovem Com base na análise dos dados disponíveis na biblioteca de anúncios da Meta, o g1 identificou que o candidato mirou o público mais jovem na distribuição do impulsionamento depois do início oficial da sua candidatura. Pessoas entre 18 e 24 anos concentraram cerca de 36% das impressões estimadas, isto é, das vezes em que os anúncios foram exibidos, considerando todos os conteúdos veiculados desde o início da campanha eleitoral. Desse total, 19,3% foram exibições para mulheres e 16,5% para homens. Em seguida, o público de 25 a 34 anos respondeu por cerca de 32% das impressões, sendo 16,6% entre mulheres e 15,7% entre homens. Dados da Meta mostram que Cury aumentou direcionamento ao público jovem após início da campanha arte/g1 A distribuição é diferente da observada no período de pré-campanha, quando a faixa de 25 a 34 anos concentrava a maior parcela das impressões, com cerca de 28%. A partir do início da campanha eleitoral, o alcance no público dos 35 aos 44 anos começa a cair. Foram 7,6% mulheres e 7,2% homens, totalizando 14,8% das impressões estimadas. O mesmo vale para o grupo dos 45 aos 54 anos: 4% eram mulheres e 4% homens. 18 - 24 anos: 35,8% (era 21,3 no período pré-campanha) 25 - 34 anos: 32,3% (eram 28,4%); 35 - 44 anos: 14,8% (eram 19,6%) 45 - 54 anos: 8% (eram 13,9%) 55 - 64 anos: 5,4% (eram 10,4%) 65+ anos: 3,5% (eram 6,3%) Nas faixas etárias mais altas, a participação foi menor. Pessoas de 55 a 64 anos responderam por 7,7% das impressões dos anúncios de Cury, sendo 5,3% entre mulheres e 2,4% entre homens. Entre o público com 65 anos ou mais, as mulheres também concentraram a maior parcela das impressões: 3,4%, ante 1,3% entre os homens, totalizando 4,7%. Anúncios miram Sudeste e Nordeste Os dados da Biblioteca de Anúncios da Meta mostram uma mudança geográfica no direcionamento dos posts de Augusto Cury desde o início oficial da campanha. Se antes o Sudeste concentrava a maior fatia das impressões dos posts patrocinados (44,1%), a região perdeu mais da metade desse peso relativo, caindo para 19,7% após o pontapé inicial da corrida eleitoral. Na direção oposta, o Nordeste, que já respondia por quase um terço do alcance na fase pré-campanha (31,1%), passou a concentrar mais da metade de todas as impressões da candidatura, atingindo 54,6%. Impressões de posts de Auguso Cury por região arte/g1 Conteúdo com mais impulsionamento é corte de debate presidencial Até o momento, o conteúdo que recebeu o maior investimento é uma postagem que mostra um recorte da participação de Cury no primeiro debate presidencial, na Band. No recorte, o candidato se apresenta, falando sobre seu casamento, sua história acadêmica e se classifica como o “psiquiatra mais lido do mundo”. No decorrer do vídeo, Cury também faz um apelo para o país. Ele afirma que quer usar "toda" a sua “experiência fora da política” e “chamar os melhores profissionais” porque o “Brasil merece desenvolver”. Ao final do corte, olha para a câmera e diz: “se você achar que eu mereço seu voto, faça um vídeo de apoio, porque furar essa bolha só depende de você”. A legenda também reforça as ideias de Cury sobre montar uma equipe. “Um presidente não precisa ser o melhor em tudo. Precisa saber reunir os melhores”, escreveu. “O Brasil também não será reconstruído por um salvador da pátria, mas por uma equipe competente, diversa e preparada para servir”, continuou. “Está na hora de colocar essa inteligência para trabalhar pelo país”. No dia do debate, a participação do candidato foi marcada por idas e vindas: ele abriu uma transmissão ao vivo nas redes sociais e, cerca de 30 minutos antes do início do debate, anunciou que não participaria diante das ausências de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Depois, Cury entrou na emissora e, pouco depois, voltou atrás na decisão e participou do debate. Cury fica em 3º lugar na Quaest Pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (2) mostrou Augusto Cury como terceiro colocado na corrida presidencial, com 10% das intenções de voto. O levantamento foi encomendado pelo jornal O Globo e pela Globo. O candidato do Avante ficou isolado em terceiro e deixou para trás Renan Santos (Missão), com 3%, e Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), que têm 1% cada, mesmo índice de Samara Martins (UP). A margem de erro é de 2 pontos percentuais. Lula (PT) lidera com 37%, e Flávio Bolsonaro (PL) tem 29%. O escritor se destacou entre os jovens, onde obteve 14% das intenções de voto. Foi seu melhor desempenho no recorte por idade. O pior desempenho foi entre os mais velhos (60+), com 3%. Na faixa entre 35 e 59 anos, 10%. Chegou a 11% no Nordeste, tem 10% no Sudeste e no Sul e 8% no Centro-Oeste/Norte. Teve 9% das intenções de voto entre as mulheres e 11% entre os homens. Na divisão por nível de escolaridade, marcou 15% entre os eleitores com ensino superior, 13% no ensino médio e 4% no grupo com ensino fundamental. Felipe Nunes, diretor da Quaest e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), diz que a pesquisa mostra que Cury "canibalizou" as intenções de voto disputadas pelos candidatos que se apresentam como uma alternativa à polarização. "Neste primeiro momento, a gente vê uma reorganização desse campo. O Cury atrai esse voto.” Candidato já negou uso de robôs O candidato já havia afirmado que o seu movimento nas redes sociais era orgânico. Em agenda no Sebrae em Curitiba na segunda-feira (31), negou ter feito uso de robôs ou ter contratado influenciadores para melhorar artificialmente o seu engajamento. “Eles que investiguem”, disse, ao ser questionado sobre a suspeita de outros partidos sobre o crescimento das proporções da sua candidatura. “Nós investimos em torno de R$ 50 mil. Não tem história de robô. Na verdade, são milhões de pessoas que acreditam na pacificação e estão cansadas desta polarização insana”, afirmou.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/09/05/impulsionamento-augusto-cury-redes-sociais.ghtml


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