Sem programação oficial, feirantes se reúnem para comemorar 399 anos do Ver-o-Peso, em Belém
27/03/2026
(Foto: Reprodução) Nesta sexta-feira (27), data em que o Mercado do Ver-o-Peso completa 399 anos, feirantes realizaram uma festa simbólica sem programação oficial da prefeitura.
Eles prepararam um bolo de aniversário, cantaram parabéns no Mercado de Carne e representaram todos os setores do complexo, em uma homenagem simples organizada pelo Instituto Ver-o-Peso.
O presidente do instituto, Manoel Rendeiro, conhecido como "Didi", destacou que a celebração reforça a união dos trabalhadores que mantêm viva a tradição do local. O complexo, revitalizado em 90%, segue como coração cultural e econômico de Belém.
Didi explicou que a data de fundação foi identificada há 25 anos com ajuda de uma historiadora e o instituto existe desde então para preservar a memória, quando também os feirantes comemoram o aniversário do mercado.
Uma programação oficial tinha sido anunciada pela prefeitura de Belém na véspera do aniversário, mas o evento foi cancelado.
Ver-o-Peso completa 399 anos e celebra história e cultura em Belém
Luta por patrimônio imaterial
Neste aniversário, o principal pleito dos feirantes é o reconhecimento das atividades centenárias como patrimônio cultural imaterial pelo Iphan, além da estrutura já tombada.
Atividades como venda de açaí, pescado, hortifrúti, refeições, castanha e frutos regionais existem há mais de 400 anos e precisam ser valorizadas, argumenta Didi, que marcou reunião com o Iphan e planeja pressionar governo estadual e prefeitura.
"Não adianta só a estrutura ser patrimônio sem os trabalhadores que fazem ele funcionar", afirmou Didi em entrevista ao g1.
Símbolo da identidade paraense
Imagem antiga do Mercado do Ver-O-Peso, em Belém.
Álbum descritivo do Estado do Pará do ano de 1898.
O Ver-o-Peso é cartão-postal de Belém, reunindo tradição, sabores e histórias na capital paraense.
Ele teve a inauguração em 1625 no antigo Porto do Pirí, a Casa de “Haver o Peso”, que começou como posto de aferição de mercadorias e arrecadação de impostos, evoluindo para o grande mercado aberto que conhecemos hoje.
No século XVIII, Belém se firmou como o maior entreposto comercial da região amazônica, centralizando o fluxo de produtos da floresta, como drogas do sertão, destinados a mercados locais e internacionais, além de receber bens europeus. Esse intenso movimento comercial originou o Ver-o-Peso, tombado pelo Iphan em 1977 como conjunto arquitetônico e paisagístico.
Ao longo dos séculos, o complexo passou por adaptações, especialmente na Belle Époque, período cosmopolita do fim do século XIX até a Primeira Guerra Mundial. Reformas incluíram a construção do Mercado de Ferro (ou de Peixe), iniciado em 1899 sob influência europeia dos engenheiros Bento Miranda e Raymundo Vianna, e o Mercado Francisco Bolonha (de Carne), ambos inaugurados em 1901.
Banca de polpas no Ver-o-peso.
Juliana Bessa / g1
O Mercado de Ferro destaca-se pela estrutura de ferro importada da Europa, cobertura em telha Marselha e torres art nouveau com escamas de zinco no sistema Vieille-Montagne, consolidando o Ver-o-Peso como a maior feira livre da América Latina.
O complexo se estende por 25 mil m², abrangendo o Boulevard Castilhos França, Mercados de Carne e Peixe, casario, praças do Relógio e Dom Pedro II, doca de embarcações, Feira do Açaí e Ladeira do Castelo.
Além do comércio, é um polo de vida social e intercâmbio cultural, onde práticas tradicionais dos feirantes tecem relações simbólicas e econômicas.
Vista aérea do mercado do Ver-o-Peso, em Belém (PA), que será sede da COP30 em novembro.
Anderson Coelho/AFP
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